Pregnancy #9

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Quando chegámos à maternidade, ainda fomos ao gabinete do obstetra, mas foi chegar, "Bom dia" e "Adeus".
Depois de ser observada por uma parteira, o pai lá foi fazer a inscrição enquanto eu fui conhecer o nosso quarto.
Pulseira no pulso e já não podia sair dali. 
Era cerca do meio-dia do dia 10 de Maio. 
Fomos para a maternidade sem nada. Eu só levava a minha carteira e a roupa no corpo. 
Depois de me instalar no quarto, o pai lá voltou a casa para terminar as nossas malas e trazê-las.
Lembro-me que enquanto estive à espera tive frio porque estava de calções e o meu quarto estava com o AC muito forte.
Trouxeram-me o almoço, descansei na cama, passeei pelos corredores até que ao final do dia lá veio o pai com as tralhas todas.
Organizar, arrumar, tomar um duche, jantar.
Entretanto ele foi embora. 
Eu deitei-me na cama para dormir por volta das 22h30m, 23h.
Durante todo o dia não tive uma única dor ou contração. Apenas ia perdendo líquido amniótico. 
Mas pouco depois, à meia-noite, a festa começou.
O tema “Parto” sempre foi um tema que eu afastei da minha cabeça durante toda a gravidez.
Por um lado porque até às últimas semanas de gravidez estava tranquila. Ainda faltava muito tempo, era uma miragem.
Por outro lado, ao não pensar no assunto não me stressava. 
Todos sabemos que este momento é muito complicado. Desde que começa o trabalho de parto até que o bebé está definitivamente cá fora.
É muito importante falar, ouvir, absorver informação sobre o tema, o que deve e pode ser feito, etc.
Mas ao mesmo tempo não adianta fazer muitos planos porque tudo pode acontecer naquele momento.
Para o bom e para o mau. E ninguém pode controlar isso.
À medida que ia terminando o 8º mês de gestação, o tema começou a surgir com mais frequência na minha cabeça.
Por um único motivo: as dores!
E a partir daqui, meus amigos, é fodido! Não há outra forma de o dizer! Desculpem lá!
O meu trabalho de parto durou 12 horas no total.
As primeiras 6 horas, da meia-noite às 6 horas da manhã, foram brindadas com tudo a que se tem direito: contrações, dores, alguns tremores nas pernas, raiva, nervos, stress, etc.
As dores no útero/barriga até se aguentavam maaaaaaiissss ou menos bem!
Mas e as dores lombares??? As dores lombares?????
Custam p’ra caral**! Um horror!
Passei 6 horas a queixar-me a contorcer-me, a massajar, usei a bola de Pilates, pedi epidural, mas….. “Não pode ser ainda, porque só tem 1 centímetro de dilatação e a epidural só pode ser administrada a partir dos 3 centímetros!”
Deram-me dois tipos de comprimidos, deram-me uma treta qualquer diretamente na veia, mas NADA aliviou aquele cenário!
E assim passei 6 horas da minha noite! Estava cheia de sono ao mesmo tempo!
Às 6h da manhã, já eu estava quase a esbofetear a parteira, quando do nada ouço “Já tem 3 centímetros! Já pode levar a epidural!”
Luz ao fundo do túnel!!! Luz ao fundo do túnel!!!
AAAHHHHHHHHHHHH! BORA LÁ MINHA GENTE! ONDE É QUE ME DEITO?????
Lá veio o Sô Doutor e a coisa deu-se!
Também ouvi dizer que levar a epidural doía muito a ser administrada, mas ele deu-me uma anestesia local primeiro, pelo que só soube que já tinha levado a injeção dos céus quando ele me disse. Não senti nada! Foi coisa que se despachou em 5 minutos.
E meus amigos…. a partir daqui, é o paraíso!
Começamos a sentir os pés, as pernas, o rabo, a zona lombar dormentes, mas na verdade não totalmente.
Parece que atualmente existe um novo tipo de epidural que permite que a pessoa possa caminhar e fazer o resto do trabalho de parto em movimento.
Eu fiquei na cama todo o tempo com uma mangueira que me permitia injectar em mim própria mais uma dose de epidural quando a anterior começava a perder o efeito.
O céu! O paraíso!
Algures durante a manhã injectaram-me mais qualquer coisa para induzir o parto mais rapidamente, senão era coisa para demorar. 
As 
águas tinham rebentado, mas o Henrique ainda não estava para nascer! Nunca soubemos o que provocou o rebentamento. Talvez a minha vida agitada.
Ainda me auto-injectei duas vezes. Sente-se um líquido gelado a percorrer-nos as costas, mas depois não há melhor!
Dez minutos antes do meio dia o Henrique já estava a começar a descer.
Entretanto o pai chegou da sua última noite tranquila.
Sempre que vinha uma contração foi fazer FFFOOOORRRRÇÇÇÇAAAA!!! FFFOOOORRRRÇÇÇÇAAAA!!!
E às 12h16m nasceu o principezinho!
Saudável, perfeitinho e tudo correu bem!
Por fim, e uma coisa que me inquietava muito era que o levassem depois de nascer para ser observado pelo médico.
Felizmente perguntaram-me se eu queria ficar com ele depois de nascer, o que era óbvio!
Atualmente dá-se muito valor ao ato “pele-com-pele”.
Aquele contacto com a mãe, pele com pele logo a seguir ao nascimento.
E eu queria muito isso.
Ficámos ali cerca de 1 hora, enquanto a parteira tratava de mim (tirava os restos….).
Depois fomos para o quarto, onde mais tarde um pediatra foi analisá-lo.
Uma grande curiosidade: em Portugal não sei muito bem como funciona, mas tenho ideia que no momento do parto, na sala estão enfermeiras, o médico obstetra (ou alguém da equipa), o anestesista, etc.
Aqui em França, na sala de partos estava…. a parteira!
Unicamente a parteira! E ela fez tudo do início ao fim, sozinha!
Mais ninguém apareceu para pôr as mãos na massa!
Parece que aqui, apenas quando alguma coisa corre ou está para correr mal, é que aparece o médico.
Bizarro, mas é mesmo assim!
Bom… já passou e apesar de tudo a memória é mesmo curta!
Já estou pronta para outra! 🙂 
(Mas o marido até treme quando digo isto.... eheheheh)
Ainda tive tempo para umas últimas fotos na casa-de-banho do meu quarto.
Dá para ver que nesta altura a barriga aumentou bastante.
Nesta gravidez aumentei 9 quilos no total. 
Não engordei nada e ao fim de uma semana já tinha o peso inicial antes da gravidez e a minha roupa servia-me como se nada se tivesse passado. 
Não tenho marcas nenhumas de gravidez, pelo que mais uma vez se confirma que ter um estilo de vida saudável toda a vida, dá os seus frutos.
 

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