Henrique – 1st month

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Os dois primeiros meses do Henrique foram muito semelhantes, mas neste post recordo apenas imagens do primeiro mês.
Depois de uma semana na maternidade, regressámos a casa.
Enquanto o bebé esteve internado eu não tive autorização para sair da maternidade. Não podia separar-me dele nunca. Confesso que já estava maluca de estar entre quatro paredes, fechada e sem ver a luz do dia!
O pai ia lá de manhã antes de ir para o escritório e ao final do dia antes de regressar a casa.
Fomos novamente a pé (tal como na ida para a maternidade), já com o Henrique na sua alcofa a dormir.
Estava um dia de calor, eu usei uns shorts que usava antes da gravidez e um top.
Numa semana, recuperei totalmente a forma fisíca. Não é de todo o mais importante, mas é muito bom também e eu estava muito contente com isso.
Chegados a casa, a sensaçã foi... E agora? Trazemos mais um!
Foi um mês muito difícil.
O pai ficou as duas primeiras semanas em casa mas misturadas com trabalho.
Depois ele teve que voltar ao escritório.
A fase de cólicas começou nessa mesma semana e misturadas com problemas digestivos por o leite materno ser muito líquido, foi bombástico.
Para começar, ele apenas tinha 3 estados: ou comia, ou chorava ou dormia. Sendo que dormir era o que menos fazia.
Se não estava a comer, estava a chorar. 
Tomem lá um cheirinho:
E apenas se acalmava um pouco ao colo. Passei 24 horas por dia com ele ao colo. As minhas costas estavam desfeitas.
Eu não conseguia almoçar, nem sequer fazê-lo.
Jantar, era sempre com ele na mama ao mesmo tempo.
Tinha que ir à casa-de-banho com ele ao colo.
Dormi com ele ao colo no sofá sobre o meu peito durante vários dias/noites, pois era a única forma de ele se acalmar e dormir 1 hora seguida.
Não o podia largar um minuto que fosse.
Isto, 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Numa palavra: Horrível.
Durante 1 mês e meio eu e o pai dormimos no sofá alternadamente.
Enquanto um ficava com o bebé, o outro tentava dormir 3 horas seguidas e descansadas no quarto.
O bebé ora dormia sobre nós, ora ao nosso lado na alcofa, quando se aguentava lá.
Ele só adormecia depois das 2 horas da madrugada e de 2 em 2 horas certinhas acordava para comer. Parecia um relógio suíço.
Eu tirava leite com uma máquina para o pai lhe poder dar durante a parte da noite dele.
Quanto às colicas foi difícil estabilizar.
Testámos vários produtos diferentes, começando pelos mais naturais possível, terminando finalmente num que ajudou muito a aliviar o bebé.
Chama-se Biogaia e também há à venda em Portugal.
Para ajudar, o Henrique não pegou numa única chupeta.
Comprei várias, de várias marcas e feitios, mas nada!
Chupeta não era com ele.
Tal como a maioria dos bebés, o Henrique nasceu com icterícia neonatal .
A ictericia é uma doença que acontece devido ao aumento no sangue do pigmento amarelo bilirrubina.
Esta doença é comum em todos os bebés, mas nos prematuros é muito mais acentuada pois não conseguem ainda metabolizar o excesso de bilirrubina.
Os bebés ficam amarelos e pode extender-se para os olhos que deixam de ter a parte branca e fica mais amarela.
Nos bebés de termo desaparece 2 ou 3 dias depois do parto, mas em bebés como o Henrique prolongou-se por mais de um mês.
Não é nada de grave nem de preocupante (à partida) e resolve-se facilmente com banhos de luz. Consiste em meter o bebé numa incubadora onde faz tratamento de fotossíntese. Está exposto a luzes azuis, que ajudam a metabolizar a bilirrubina. O bebé é exposto a esse tratamento diariamente, até que os níveis da substância estejam seguros.
No caso do Henrique, ele esteve sempre em cima dos limites máximos da curva de estudo. Mas como nunca ultrapassou a curva, nunca foi submetido ao tratamento.
Na semana em que esteve na maternidade foi controlado e fez testes várias vezes por dia, na semana seguinte eu levava-o lá todos os dias para ser controlado e na semana seguinte começámos a espaçar o controlo.
Começou a melhorar e quatro ou cinco semanas depois estava regularizado.
Aqui em França, quando o bebé vai para casa, são obrigatórias visitas de uma sage femme a nossa casa duas a três vezes nas duas semanas seguintes.
Uma sage femme é uma profissional graduada no acompanhamento de gestações, partos e pós-parto.
Foi uma sage femme que me fez o parto, uma outra fez-nos as aulas de preparação para o parto e outra ainda que foi lá a casa depois.
Mas em vez de duas ou três visitas, ela foi quase 2 meses de 2 em 2 dias.
Era preciso controlar quase diariamente o peso do Henrique por ele ter nascido com um peso baixo.
Mas para além disso eu gostava muito quando ela lá ia a casa.
Era alguém que eu via e com quem podia falar e me dava muitos conselhos úteis para quem é mãe de primeira viagem e nada sabe, que depois transmitia ao pai.
Quanto mais não fosse, ouvia dela muitas vezes "Vai passar! Não se preocupe que vai passar!".
Neste primeiro mês, coincidiu também a chegada do calor a Grenoble. E em Maio/Junho, o calor chega mesmo em força. Estamos a falar de quase 40 graus, o que faz com que em casa estejam à volta de 30 graus.
É horrível!
Se abrimos as janelas ou as persianas parece que vem fogo lá de fora. Ao manter fechadas cria-se um efeito estufa dentro de casa.
Nem a ventoinha safa.
A partir da hora do almoço era impossível andar na rua até às 22hrs. E de manhã cedo quando estava mais fresquinho eu não tinha forças para me levantar da cama ou do sofá, depois de uma noite que começou depois das 2h da madrugada e era interrompida constantemente.
Por isso, o Henrique sofreu muito com o calor.
Ele e eu!
Andou várias semanas apenas de fralda. Dentro e fora de casa.
Passei várias tardes com ele ao colo na garagem do prédio, de um lado para o outro.
Sei exatamente quantos passos são de uma ponta à outra.
Por vezes lá me sentava no carro para descansar as pernas.
Mas mal chegavamos a casa ele voltava a chorar desalmadamente!
Enfim....
Ao fim de algum tempo comprámos um ar condicionado como deve ser, que nos vai dar muito, muito jeito nos próximos anos.
E assim foi durante semanas e semanas!
Isto faz com que eu não tenha nenhuma memória de quando o Henrique era bebé.
Não pude desfrutar em nada os primeiros tempos do meu recém nascido.
O que não era suposto ser assim e me deixa muito triste. 🙁
Resta-me olhar para as fotografias, todas tiradas com o telemóvel, pois nem cabeça havia, nem me lembrava que tenho material fotográfico xpto ali mesmo ao lado, na gaveta, pronto a ser utilizado!
De qualquer modo o mais importante no final disto tudo, é o que temos agora. Foi uma fase apenas, que já lá vai.
Fiquem por ai! Para os próximos capitulos!

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